Férias & Ausências

Licença Extraordinária: Casamento & Falecimento no Luxemburgo

A licença extraordinária é um direito legal que permite ao trabalhador ausentar-se por determinados eventos pessoais com plena manutenção da remuneração. O artigo L.233-16 do Código do Trabalho fixa as durações em função da natureza do evento e do grau de parentesco, bem como as regras de tomada, as interações com outras ausências e a proteção atribuída ao trabalhador.

Tema: Férias & Ausências Fontes: Art. L.233-16 · Art. L.233-6 · Código do Trabalho · ITM Atualizado: 11 de junho de 2026

Secção 1 — Tabela resumo dos direitos

O artigo L.233-16 confere direitos a licença extraordinária pelos seguintes eventos, independentemente da antiguidade do trabalhador:

Evento Quem beneficia Duração
Casamento do próprio trabalhador O trabalhador 3 dias
Casamento de um filho do trabalhador Cada progenitor 1 dia
Falecimento do cônjuge, parceiro ou familiar em 1.º grau (pai, mãe, filho, filha) O trabalhador 3 dias
Falecimento de filho menor O trabalhador 5 dias
Falecimento de familiar em 2.º grau do trabalhador ou do seu cônjuge/parceiro O trabalhador 1 dia
O direito a 5 dias por falecimento de filho menor é a licença extraordinária mais longa prevista na lei. É distinto dos 3 dias concedidos por falecimento de filho maior, que se enquadra na categoria de familiar em 1.º grau.

Secção 2 — Licença por casamento

Casamento do próprio trabalhador

Quando o trabalhador contrai matrimônio ou constitui uma parceria reconhecida equivalente, tem direito a 3 dias de licença extraordinária. Esta licença deve ser tomada em ligação direta com a cerimônia (ver as regras na secção 4).

Casamento de um filho do trabalhador

Cada progenitor tem direito a 1 dia de licença por ocasião do casamento do seu filho. Se ambos os progenitores estiverem empregados no Luxemburgo, cada um pode exercer este direito de forma independente.

A lei abrange o casamento civil. Para uma cerimônia exclusivamente religiosa não precedida de casamento civil, o direito a licença extraordinária deve ser verificado à luz da convenção coletiva ou do regulamento interno aplicável.

Secção 3 — Licença por falecimento

Falecimento do cônjuge, parceiro ou familiar em 1.º grau

O falecimento do cônjuge ou parceiro, ou de um familiar em primeiro grau (pai, mãe, filho ou filha), confere o direito a 3 dias de licença. Estes dias destinam-se a permitir ao trabalhador organizar o funeral e atravessar o período imediato de luto.

Falecimento de filho menor

O falecimento de um filho menor beneficia de uma proteção reforçada: 5 dias de licença. Esta duração mais longa reconhece a singularidade e a gravidade da perda de um filho.

Falecimento de familiar em 2.º grau

O falecimento de um familiar em segundo grau confere o direito a 1 dia de licença. São abrangidos:

  • os avós, irmãos e irmãs do trabalhador;
  • os avós, irmãos e irmãs do cônjuge ou parceiro do trabalhador (avós por afinidade, cunhados, cunhadas).
Em caso de dúvida sobre o grau de parentesco que confere o direito à licença, consultar o artigo L.233-16 e, se necessário, contactar a ITM. Convenções coletivas podem prever durações superiores ou um leque mais alargado de familiares elegíveis.

Secção 4 — Regras comuns a todas as licenças extraordinárias

Tomada no momento do evento

A licença extraordinária deve ser tomada no momento em que o evento ocorre, de forma consecutiva a partir dessa data. Não pode ser adiada nem transferida para as férias anuais ordinárias. Um trabalhador não pode, por exemplo, decidir tomar a sua licença extraordinária por casamento várias semanas após a cerimônia.

Transição técnica em caso de dia não útil

Quando um dia de licença extraordinária coincide com um domingo, um feriado legal, um dia não útil por convenção ou um dia de descanso compensatório, é transferido para o primeiro dia útil seguinte ao evento ou ao termo da licença. Este mecanismo garante que o trabalhador beneficia efetivamente do número completo de dias a que tem direito.

Exemplo: um trabalhador casa-se numa sexta-feira. Os seus 3 dias de licença extraordinária cobrem sexta-feira, sábado e domingo. O sábado é um dia de trabalho normal na sua empresa; apenas o domingo é não útil e é transferido para a segunda-feira seguinte. O trabalhador beneficia assim de sexta-feira, sábado e segunda-feira.

Sem condição de antiguidade

O direito a licença extraordinária está disponível a partir do primeiro dia de emprego, sem período de espera. O trabalhador não está sujeito à condição de 3 meses de antiguidade normalmente exigida para as férias anuais ordinárias (Art. L.233-6).

Secção 5 — Interação com outras ausências

Evento ocorrido durante as férias anuais

Se o evento que confere direito a licença extraordinária ocorrer enquanto o trabalhador está em férias anuais ordinárias, as férias são interrompidas pela duração da licença extraordinária. Os dias de férias anuais assim interrompidos são reacreditados ao trabalhador e reagendados por acordo mútuo.

Exemplo: um trabalhador está de férias anuais de 1 a 14 de julho. O seu pai falece em 5 de julho. A partir de 5 de julho, tem direito a 3 dias de licença extraordinária por falecimento (5, 6 e 7 de julho). As férias anuais retomam em 8 de julho. Os 3 dias de férias anuais «absorvidos» são reacreditados.

Evento ocorrido durante uma baixa médica

Pelo contrário, se o evento ocorrer enquanto o trabalhador já se encontra em baixa médica, a licença extraordinária não é devida. O trabalhador já está ausente por incapacidade para o trabalho; os dois regimes não se acumulam.

Este princípio é frequentemente desconhecido. Um trabalhador em baixa médica aquando do falecimento de um familiar não adquire dias de licença extraordinária adicionais por esse evento: a baixa médica prossegue até ao seu termo normal.

Secção 6 — Proteção do trabalhador

O artigo L.233-16 prevê uma proteção específica para o trabalhador que solicita ou goza licença extraordinária:

  • o empregador é obrigado a manter o posto de trabalho durante a duração da licença;
  • é proibido despedir o trabalhador ou convocá-lo para uma reunião prévia ao despedimento com fundamento no exercício deste direito;
  • qualquer medida desfavorável tomada em ligação com o pedido ou a tomada de licença extraordinária expõe o empregador a consequências jurídicas.
A proteção assenta na relação de causalidade entre a licença extraordinária e a medida patronal. Se um despedimento ocorrer durante ou logo após uma licença extraordinária, o trabalhador pode invocar este nexo num litígio. Cabe então ao empregador demonstrar que a sua decisão assenta em motivos reais e sérios sem relação com o exercício do direito a licença.

Em caso de litígio, o trabalhador pode recorrer aos tribunais do trabalho competentes ou contactar a ITM para uma mediação prévia.

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As informações contidas nesta ficha são fornecidas a título meramente indicativo e não constituem aconselhamento jurídico. Podem conter inexatidões ou não refletir as mais recentes alterações legislativas ou jurisprudenciais. Para qualquer situação específica, consulte um profissional do direito.